24 de fevereiro de 2012

CASA ARRUMADA



Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade
pensador.info

VIDA PLENA!



Eu tenho andado muito feliz! Não tenho medo dessa felicidade não, pois aprendi onde encontrá-la, como chamá-la! A chamo de minha querida, minha companheira, minha sócia na vida!
Descobri o esquema da vida.
Tudo parece tão simples e sem segredos.
Tão claro e sem eloquência!
O ventre de minha alma gera uma autonomia que jamais conheci!
Gera força, enfrentamentos sem culpas...
Gera medos também, afinal o que é vida sem medo?
Continuo a roer unhas de vez em quando, o que é vida com 0% de ansiedade? Não é vida, é morte!
Não é isso que eu disse? Que estava adorando ser imperfeita?
Nada de mágoas, de controle, de inferioridades, de materialidades...
As vezes até parece que perdi a memória!
Ontem disse que estava me achando maluca...
Mas não é assim que definimos  a vida? Uma maluquice? Uma doidera??
Me chamem mesmo de maluca! Não quero glórias.
Quero viver bem, ser gente sem amarras, sem algemas.
Adoro minhas intuíções, meu jeito de enxergar as coisas...
Detesto minha lentidão...mas hoje ando bem mais devagar!
Já amei muitas pessoas de qualquer jeito, hoje amo poucas...intensamente!
Adoro ousar, aparecer, chamar atenção, ser chata, metida.
Adoro  não ser percebida!
Gosto de catucar, ser catucada, responder, negar, seduzir...
Jogo a bola pro alto e danço, se quiser deixo ela cair.
Se cair sem eu querer, fazer o quê?
Vida, vida...amo-te!

 Jussara

4 de fevereiro de 2012

O CULTO AO TRAUMA DE EXISTIR




A Psicologia enfraqueceu a alma humana com o seu culto profissional ao trauma como um poder devastador a ser “tratado”, “trabalhado”, “classificado”; e [ou] devidamente “medicado” e “processado”.

Já a Urbana/Modernidade — com seus recursos médico/hospitalares, ou mesmo com os meios científicos de prolongamento da existência — sendo isto também vinculado a uma grande expectativa redentiva e salvadora que se atribui à ciência médica —, desenvolveu uma expectativa falsa sobre a vida; de um lado hipertrofiando o significado traumático das perdas como traumas, e, de outro lado, pela mesma razão, fragilizando de modo horroroso a alma humana para tais enfrentamentos naturais; os quais, mais cedo ou mais tarde, sejam inevitáveis.


A constatação que daí decorre implica também na observação do enfraquecimento da alma humana; cada dia mais despreparada para lidar com os fatos da existência sem transformá-los em “trauma devastador”.


Viver, cada vez mais, implica em existir em crise de tudo e com trauma de quase tudo!
Isto porque, além do culto ao trauma [legado da Psicologia], existe-se também em estado de negação da natureza das coisas [...]; bem como, do mesmo modo, vive-se em estado de imersão na existência sem nenhuma graça de transcendência, o que faz com que a morte e os demais fatos simples da vida, sejam tratados o tempo todo como crises traumáticas hipertrofiadas.

Ora, a gente vê pessoas sendo tratadas psicologicamente quanto à morte ou o sumiço de cães domésticos, de pets familiares, e de quase tudo que, estado vivo, possa morrer ou desaparecer. Tamanha é a banalidade de tal estado de fragilidade!

No filme “O Auto da Compadecida” [O Auto da Compadecida (filme) – Wikipédia, a enciclopédia livre ] um dos personagens repete constantemente a mesma frase a fim de explicar o inusitado da existência; frase essa que, de fato, deveria ser parte não do nosso simplismo, mas da simplicidade do nosso existir.

A declaração é esta:
Ah! Eu não sei como é que foi... Eu só sei que foi assim!

Ora, viver em Deus demanda esta declaração como fato simples da fé confiante. Afinal, o que passar disso é loucura; posto que de fato eu não saiba como as coisas são, e, na maioria das vezes nem mesmo o seu por quê [...]; embora, pela fé, com tranquilidade, eu saiba que elas foram como foram; e, por-tanto, pronto; e, por-tanto, basta!...