7 de janeiro de 2012

TROCANDO DE ROUPA


Vivo em constantes mudanças, por isso troco sempre a roupa do meu blog. É uma espécie de ritual que transparece meu interior!
Durante anos fui massacrada por argumentos religiosos que pregavam a perfeição a qualquer preço! Tão difícil é ser perfeita! O mundo? O mundo é uma grande boca que tenta te engolir! A religião adocica sua alma para que você seja submisso a tudo, enquanto o mundo salga sua mente com pratos que não sabemos comer! Resultado: diabetes e pressão alta! Um quadro clínico nada saudável! Pode levar a morte...
Não se assuste por favor! Mas nos últimos dias tenho assumido que sou mau caráter, o que é que tem?! Sem falsidades quero assumir o quanto posso ser má, ruim, vingativa. Há prazer no mal! Mas também o quanto posso ser boa, desejar o bem. Não quero ser conhecida como a boazinha, a sensata. Se a minha sanidade permitir, quero ser conhecida apenas por ser uma boa companhia, alguém que fala e ouve sobre a vida. Bom? Quem é bom?!
Troco sempre de roupa, como diz o poeta " Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares..."
Na troca de roupa, precisa haver lugar para a percepção da nudez, se não trocamos de roupa tão depressa sem nos percebermos...aí, é apenas troca de panos, não de alma!
Seja bem vindo aqui em 2012! Não se assuste com minhas extravagâncias!
Beijo grande!

6 de janeiro de 2012

MINHA CASINHA!


Maria Bethania - Casinha Branca
Lindo, lindo!

4 de janeiro de 2012

CARTA ABERTA AOS MEUS FILHOS

 
Ricardo Gondim

Queridos Pedro, Cynthia e Carolina,
Domingo celebraremos mais um dia das mães. Pensei escrever-lhes esta carta porque desejo dar-lhes um presente. Por toda minha vida lutei para lhes agraciar com uma fortuna intangível e essencial: um apreço pelo tempo que corre como um riacho preguiçoso, nos carregando para o futuro sempre incerto; quis lhes ensinar como amar a vida na celebração do encontro, fazendo de cada refeição uma liturgia, cada abraço um compromisso, e em cada olhar uma aliança.
Lutei para não termos nenhum patrimônio senão essa soma de afetos e birras, lutas e medos, choros e danças que transformam a existência num tesouro. Esse será meu legado para domingo que vem e que espero lhes acompanhar em todos os outros que ainda virão.
Não tenho outra aspiração senão tornar-me escravo do pomar onde eu possa cultivar o fruto que lhes dará plena felicidade. Trabalho arduamente para não lhes forjar outra cobiça senão a de serem humanos, apenas humanos, com luzes e sombras, defeitos e virtudes, vividos com honestidade diante de Deus e dos homens.
Vocês já se tornaram adultos – o Pedro votará em Novembro –, mas continuo debruçado sobre suas camas, vazando nos olhos, as lágrimas de meu coração. Imploro que Deus derrame sobre suas vidas, qualquer bênção que tivesse reservado para mim. Aprendam amar a justiça; defendam os menos afortunados, derramem luz onde reinam as trevas.
Não saberia imaginar meu mundo sem nenhum de vocês. Porque os amo, desconheço distâncias. Hoje entendo um pouco sobre a onisciência divina. O amor nos força a acompanhar passos ausentes, pressentir armadilhas ainda não acontecidas, intuir caminhos melhores. Assim, eu me programo a seguir-lhes sem estar perto; ver-lhes sem olhar.
Em cada um de vocês reconheço traços do que já tentei.
Pedro, também já sofri e chorei pelo futebol. Saiba que seu abraço pesado e sem jeito na porta da escola não me deixa com o mesmo olhar triste de meu pai. Papai foi melancólico, porque um dia precisou dos meus, que nunca chegaram.
Cynthia, sua coragem de singrar oceanos, enfrentar ruas e avenidas inclementes, me intrigam. Eu também já sonhei navegar por águas inexploradas. Só que nunca fui bravo para desamarrar o cabo de meu tímido navio.
Carolina, sempre tão plena de siso. Você me ensinou como ser responsável naturalmente. Eu sempre tentei fazer o melhor, mas grimpava as alturas pela religiosidade. Como nunca alcancei, puni-me com intermináveis flagelos. Aprendi a conviver melhor comigo mesmo através de seu olhar calmo.
Estressei-me ao caminhar por estradas alargadas por minhas pretensas onipotências, mas hoje elas se estreitam pela consciência de como aqueles sonhos eram mirabolantes. Assim, contento-me com o tesouro mais precioso que um homem pode guardar em seu palácio real: seus filhos queridos.
Já ouço, à distância, o assobio tenebroso da morte, mas sei que não temerei sua súbita visita. Quando atravessar o rio, levarei como óbolo para o barqueiro, uma aljava entupida de boas memórias.
Nem sei porque lhes escrevo algumas horas antes do dia das mães. Talvez, sinta-me galardoado pelo sentimento materno já que lhes guardo no útero de meu peito. Espero estar lhes parindo para o amanhã radiante que nutrem meus sonhos e que ainda espero acontecer.
Com um beijo,
Ricardo
Ricardo Gondim

http://www.ricardogondim.com.br