21 de setembro de 2011

DEUS OUVE NOSSAS PETIÇÕES


Houve um tempo em minha vida  que não pensava em ser mãe. Embora ter filhos sempre tenha feito parte das brincadeiras de criança, depois que casei passei um longo período dando sonífero a este pensamento. Percebi  num determinado momento  que essa idéia estava tão distante, que se não corresse atrás, nunca mais alcançaria! É...a idade chega, nosso pique já não é mais o mesmo, sem contar que a produção de óvulos vai diminuindo na mulher após os trinta e muitos poucos! rsrs
Foi aí que um dia pedi a Deus que colocasse um desejo forte de ser mãe em meu coração, um desejo tão forte, que  fizesse ultrapassar meus medos e impossibilidades. Ainda não estou grávida, mas o desejo já está em meu coração, ele é tão forte que já começei a comprar meinhas, pantufas, fraldas de pano e outras coisitas  a mais! O mais legal de tudo é que as pessoas que me amam, estão grávidas emocionalmente junto comigo! Neste processo, tantos medos e sofrimentos se foram, e a Paz de Deus invadiu meu coração! Sei que o Pai que cuidou de nós como casal, continuará a cuidar  quando o pequeno ser estiver aqui!
Beijus da Jú

12 de setembro de 2011

HISTÓRIAS FAMILIARES


Sempre achei as histórias familiares um caminho importantíssimo para explicações de sucesso ou fracasso, impasses e avanços. Por mais contraditórias que sejam, é o caminho! As tramas e espiritualidade se repetem nas gerações com  melhoramentos ou regressões. Nessa estrada o que não é dito fala muito alto e o que é  sentido precisa ser ouvido...nossas intuíções dizem muito. Hoje conversei com uma de minhas irmãs e percebi o quanto nossa trajetória foi parecida, mesmo sendo criadas distantes, falamos de vivências paralelamente iguais! Costumo dizer que existe poucos modelos de pessoas e esses modelos se repetem. Conversando com ela, parecia que éramos figurinhas repetidas! Mas qual foi a herança familiar que atingiu a nós? Qual legado espiritual nos foi deixado para que tivéssemos enfrentamentos tão parecidos? Como não fomos criadas juntas, sinto que essa conversa será a chave para que algumas peças do meu quebra-cabeça familiar se complete. Amo muito tudo isso!
Beijo grande!

11 de setembro de 2011

RUBEM ALVES


“Contei meus anos e descobri
Que terei menos tempo para viver do que já tive até agora....
Tenho muito mais passado do que futuro...
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de jabuticabas...
As primeiras, ele chupou displicentemente..............
Mas, percebendo que faltam poucas, rói o caroço...

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades...
Inquieto-me com os invejosos tentando destruir quem eles admiram.
Cobiçando seus lugares, talento e sorte.....
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
As pessoas não debatem conteúdo, apenas rótulos...
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos...
Quero a essência.... Minha alma tem pressa....
Sem muitas jabuticabas na bacia
Quero viver ao lado de gente humana...muito humana...
Que não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade....

7 de setembro de 2011

MARISA MONTE


"POUT-PORRI" DE MARTHA MEDEIROS


“Tristeza é quando chove
quando está calor demais
quando o corpo dói
e os olhos pesam
tristeza é quando se dorme pouco
quando a voz sai fraca
quando as palavras cessam
e o corpo desobedece
tristeza é quando não se acha graça
quando não se sente fome
quando qualquer bobagem
nos faz chorar
tristeza é quando parece
que não vai acabar”
****
Me recuso a dar informações
Sobre o paradeiro das minhas idéias malditas
Elas se escondem bem demais.
Só eu sei o caminho
Só eu sei em quem dói mais
*****
Você é feliz? Não espalhe, já que tanta gente se sente agredida com isso. Mas também não se culpe, porque felicidade é bem diferente do que ser linda, rica, simpática e aquela coisa toda. Felicidade, se eu não estiver muito enganada, é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é tirar algum proveito do sofrimento, é não se exigir de forma desumana e, apesar disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
*****
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

Martha Medeiros

6 de setembro de 2011

SUBIR PELO LADO QUE DESCE.



Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce. Ouvindo esta frase, imaginei qualquer pessoa nessa acrobacia que as crianças fazem ou tentam fazer: escalar aqueles degraus que nos puxam inexoravelmente para baixo. Perigo, loucura, inocência, ou uma boa metáfora do que fazemos diariamente? Poucas vezes me deram um símbolo tão adequado para a vida, sobretudo naqueles períodos difíceis em que até pensar em sair da cama dá vontade de desistir. Tudo o que quereríamos era taparmos a cabeça e dormirmos, sem pensarmos em nada, fingindo que não estamos nem aí… Porque Tânatos, isto é, a voz do poço e da morte, nos convoca a cada minuto para que, enfim, nos entreguemos e acomodemos. Só que acomodar-se é abrir a porta a tudo aquilo que nos faz cúmplices do negativo. Descansaremos, sim, mas tornando-nos filhos do tédio e amantes da pusilanimidade, personagens do teatro daqueles que constantemente desperdiçam os seus próprios talentos e dificultam a vida dos outros. E o desperdício da nossa vida, talentos e oportunidades é o único débito que no final não se poderá saldar: estaremos no arquivo-morto. Não que não tenhamos vontade ou motivos para desistir: corrupção, violência, drogas, doença, problemas no emprego, dramas na família, buracos na alma, solidão no casamento a que também nos acomodamos… tudo isso nos sufoca. Sobretudo, se pertencermos ao grupo cujo lema é: Pensar, nem pensar… e a vida que se lixe. A escada rolante chama-nos para o fundo: não dou mais um passo, não luto, não me sacrifico mais. Para quê mudar, se a maior parte das pessoas nem pensa nisso e vive da mesma maneira, e da mesma maneira vai morrer? Não vive (nem morrerá) da mesma maneira. Porque só nessa batalha consigo mesmo, percebendo engodos e superando barreiras, podemos também saborear a vida. Que até nos surpreende quando não se esperava, oferecendo-nos novos caminhos e novos desafios. Mesmo que pareça quase uma condenação, a idéia de que viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce é que nos permite sentir que afinal não somos assim tão insignificantes e tão incapazes. Então, vamos à escada rolante: aqui e ali até conseguimos saltar degraus de dois em dois, como quando éramos crianças e muito mais livres, mais ousados e mais interessantes. E porque não? Na pior das hipóteses, caímos, magoamo-nos por dentro e por fora, e podemos ainda uma vez… recomeçar.
(Lya Luft)