14 de março de 2011

SÉRGIO PIMENTA: MÚSICA CRISTÃ COM ÓTIMO TEMPERO!




Ministérios de adoradores extravagantes, espontâneos ensaiados, mantras enxarcados de lágrimas, declarações beijoqueiras de amor, ministrações de auto-ajuda triunfalistas, atrevidas e pidonas; tudo isso sob ritmos longe de qualquer característica tupiniquim. Em meio a tudo isso, há quem sinta falta de poesia e a simplicidade de um só violão bem brasileiro. Dizem que gosto não se discute. Eu digo que o bom senso tem sido torturado.


Sérgio Pimenta foi um dos poetas cristãos mais influentes na música cristã brasileira. Integrante do "Vencedores Por Cristo" nos anos 70 e 80. Autor de músicas como Cada Instante, Você pode ter, Pescador (A MINHA PREFERIDA), Tudo ou nada, Resposta Certa, É preciso, Vem comigo, Fruto da semente, Para sempre e mais, Quando se está só, A moça do poço, Fonte. Todas elas cheias de identidade musical brasileira. Não era pra menos, Sérgio Pimenta era negro, cariocão e estava vivendo numa época extramente fértil na MPB - década de 70 - quando pintavam Elis Regina, Tom e Vinícius, Chico Buarque, Edu Lobo, o pessoal do Clube da Esquina, Caetano e Gil, Carlos Lyra, os Novos Baianos, Alceu, Fagner, Belchior, Mutantes, João Bosco e outros gênios mais, inclusive os meninos de Liverpool. Some todas essas influências a uma profunda intimidade a Cristo. E, aqui, entenda intimidade não por chamar Jesus de amado, dizer que quer tocá-lo, abraçá-lo ou até beijá-lo. Mas um conhecimento dos designíos cultivado desde a infância através do milagre das escrituras, submissão a Deus e muita mansidão.

Foi o Sérgio juntamente com um time formado por Aristeu Pires Jr. de Brasília, os paulistas Guilherme Kerr, Nelson Bomilcar, Gerson Ortega, Arthur Mendes que mudaram a música cristã brasileira no disco "De Vento Em Popa" (1979) do VPC, abandandonado as traduções e partindo pras composições autorais. Além de querer trazer pras igrejas muita barulheira desde baião a Beatles numa época onde os cultos eram nada menos que solenes e bem "engomados" com sua música sacra, dando espaço apenas para o órgão. Esse, sim, foi um verdadeiro "reteté".

Sinto falta de algo como Pimenta para dar sabor a essa comida sem identidade que é a música (mau) servida no meio cristão. Não, eu não esqueci das especiarias poéticas João Alexandre, Jorge Camargo, Carlinhos Veiga, Expresso Luz, os meninos do Crombie, Baixo & Voz e alguns raríssimos tempeiros. Mas eles não estão nas mesas. O que, infelizmente, se encontra por aí é só fast-food, nada de 'sustança'. Talvez, porque ainda somos crianças na fé, só tomamos leitinho. E criança, ainda tem o paladar em formação, adora comer bagana. A gente mata a fome, mas não se alimenta. Não basta o pão servido em letras belíssimas e harmonias bem preparadas, o que é apreciado é um sanduba musical repetitivo com uma ministração ketchup pobres em nutrientes. Por que não uma feijoada com farinha?



Pimenta no meu ouvido é refresco pra alma!

 
 


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