27 de novembro de 2010

DESINTOXICAÇÃO



























Nunca fumei, nunca bebi.

Mas derrepente a gente percebe

vícios n’alma.

É uma alucinação desenfreada que nos rouba

a visão e faz-nos ter movimentos repetitivos.

É sentir que temos casa, mas viver como se estivéssemos longe dela!

É inventar mentiras para que as verdades não sejam descobertas.

É roubar, camuflar, fugir da polícia.

É escolher um modo de vida tirano.

É gastar os pulmões, não tendo mais a lembrança

do ar puro. Respiração livre!

Depois da desintoxicação, vem o vazio.

Vazio? Não será paz? Alma limpa?

Tem gente que precisa de uma loucura para alimentar a vida!

A falta de alucinações é a equivalência da sanidade.

Descobre-se a cura.

Mata-se a droga da neurose.



Jussara Barbosa

26 de novembro de 2010

"RIO 40 GRAUS, CIDADE MARAVILHA 'PURGATÓRIO' DA BELEZA E DO CAOS!"


morte-do-caos


O que está acontecendo no Rio de Janeiro já é notório mundialmente!
Mas no meio dessa guerra civil, outras guerras se entrelaçam...
Existem outras guerras dentro do povo!

Ontem peguei meu coletivo ( tenho muitas histórias que conto de dentro de ônibus rs )
e ao passar na roleta, o cobrador me deu um papelzinho que na hora não identifiquei
muito bem o que seria. Segurei o papel e fui procurar um assento. Ao sentar-me, peguei o "papelzinho" e fui ver o que era, percebi que era o que chamam de "folheto da Palavra de Deus" que tinha o título de AMOR DE MÃE. O autor fez um paralelo entre o amor de Deus e o amor de mãe. Sutilmente olhei para os lados e percebi que quase todos no ônibus liam alguma coisa parecida com aquela que estava em minhas mãos e um espírito de paz se concentrava naquele carro em movimento. Passei a observar então as pessoa que passavam na roleta, constatei que o cobrador estava    dando     aquela      mensagem    para todos no ônibus, diferenciando os das mulheres com o dos homens que se entitulava PAZ COM DEUS. Achei bacana e corajoso da parte do cobrador, pois em uma semana de caos social em que todos saíam para trabalhar em alerta e sob ansiedade, pensamos que refletir sobre Deus, seu amor e sua paz, só traz tranquilidade pra alma! Mas, no meio desse cenário de tranquilidade coletiva, tcham, tcham, tcham ( música de filme de terror ao fundo)...uma mulher para na roleta e pergunta "do que é aquele papel" se é de "Maria" ou de "José" e tumultuou o ambiente todo, impedindo que as pessoas passassem! Só depois de verificar o carimbo da igreja "Assembléia de Deus" no verso do papel é que ela se conformou em aceitar, dizendo que se fosse da Igreja Católica não aceitaria!

Existem outras guerras dentro do povo!

"DEUS NOS DEU ASAS. As religiões inventaram as gaiolas. Nossas asas são a imaginação. Pela imaginação voamos longe, muito longe, pela terra do nunca mais, pela terra do impossível, pela terra do impensado. Não entenderam? Leiam Cem anos de solidão do Gabriel Garcia Márquez que vocês entenderão. Eu até que entendo a razão porque se fazem gaiolas e cercas. Vejam o caso das galinhas. Se não vivessem em cercados, como colher os seus ovos? Se os pássaros não estivessem nas gaiolas, como possuir o seu canto? Cercas e gaiolas são construidas para se possuir aquilo que, de outra forma voaria livre, para longe... Faz tempo escrevi uma estória para a minha filha, A menina e o pássaro encantado. É sobre uma menina que tinha como seu melhor amigo um pássaro. Mas o pássaro voava livre. Vinha quando tinha saudades da menina. E depois ia embora e deixava a menina a chorar.. Aí a menina comprou uma gaiola... Essa estória eu a escrevi porque iria ficar muito tempo longe, nos Estados Unidos, e ela, minha filha de 4 anos, não queria que eu fosse. Fui e voltei. Depois de publicada fui informado de que a estória estava sendo usada por terapeutas como material para tratamento homens que queriam engaiolar as mulheres e mulheres que queriam engaiolar os homens. Aí um amigo me disse. “Que linda estória você escreveu sobre Deus...” Fiquei sem entender. Ele perguntou então: “ Mas o Pássaro Encantado não é Deus que as religiões tentam prender numa gaiola?” Cada religião anuncia que o Pássaro Sagrado está na sua gaiola, só na sua gaiola. Os outras pássaros, nas gaiolas das outras religiões, não são o verdadeira Pássaro Encantado... "

Rubem Alves


Paz,


EU SEI, MAS NÃO DEVIA.


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.


A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.



Marina Colasanti

20 de novembro de 2010

FEIRANTE



"Arruma a cangalha na cacunda
que a rapadura é doce mas não é mole não!"
"Arruma a cangalha na cacunda
que a rapadura é doce mas não é mole não!"

"Genipapo no balaio pesa",
Anda, aperta o passo pra chegar ligeiro
"Farinha boa se molhar não presta"
Olha lá na curva a chuva no lagedo!

Quem foi que te disse que a vida é um mar de rosas?
Quem foi que te disse que a vida é um mar de rosas?
"Rosas tem espinho e pedras no caminho!"
Daqui até a cidade é pra mais de tantas léguas
"Firma o passo, segue em frente
que essa luta não tem trégua"
"Fica na beira da estrada quem o fardo não carrega"
"A granel felicidade não custeia um lavrador!"

"Vamos embora que a jornada é muito longa
e não há mais tempo de chorar por mais
niguém"!
Lá na feira, a gente compra,
a gente vende
a gente pede e até barganha aquilo
que comprou!

E te prometo que depois,
no fim de tudo,
Na Quitanda da Esperança
eu te compro
um sonho de açúcar mascavo embrulhado num papel
de seda azul, pra te consolar, ai,
pra te consolar, ai,
pra te consolar, ai,
pra te consolar, ai, pra te consolar!

Letra e música: Marcília Menezes
Voz e Violão: João Alexandre

*O compositor juntou todos os conselhos que ouviu
de sua avó feirante e decidiu, em forma de poesia, perpetuá-los
numa melodia rica de harmonia simples!
Quem sabe, a coroa da vida seja um "sonho de açúcar mascavo
embrulhado num papel de seda azul" e o Céu seja a "Quintanda da
esperança", onde um dia nos encontraremos, ao final do "passo firme" da
caminhada cristã que "segue em frente"!

Retirado do Cd " É Proíbido Pensar" de João Alexandre.

Vale a pena ouvir essa doce melodia!
Beijos!

9 de novembro de 2010

EU ME DESILUDI!


Esta frase já atravessou meu canal auditivo uma centena de vezes. Normalmente entonada de maneira cansada por pessoas que, primeiro, perderam as esperanças – no plural mesmo – e, por fim, a esperança – no singular mesmo –, a última que morre, mas a primeira que agoniza.

Eu nunca me desiludo! Sabe por que? Por que nunca me iludo! Não (me) superestimo, nem (me) subestimo. Não confundo possibilidade com probabilidade. Nem limite com limitação. E muito menos qualidades e defeitos com características. Não construo expectativas irreais. O real é o ideal.

Não confundo o livre-arbítrio do homem e a vontade de Deus com a vontade do homem e o livre-arbítrio de Deus. Não confundo uma queimação estomacal com o fogo do Espírito. Nem os espíritos de porco com os espíritos nos porcos (MAT 8.31; MAR 5.12; LUC 8.32).

Acredito no acaso, no imprevisto, em acidentes, em incidentes e em coincidências. Acredito também na teoria do caos e na excepcionalidade do comum. Não creio que um mundo mais humano seja um mundo melhor. E creio em Deus: amo o Pai (LUC 10.27), aprendo com o Cristo (MAT 23.8; LUC 6.40; JOÃO 1.49; 13.13-14) e sou guiado pelo Espírito (ROM 8.14).

Não sou irresponsavelmente pessimista como Murphy. Também não sou idiotamente otimista como Pangloss. Tenho medo; mas o medo não me tem.

Sei que a vida é um mar de rosas. A vida tem o cheiro, a beleza, a veludez e até o gosto (e, quem sabe, também o som das rosas), entretanto a vida também tem espinhos. Não me considero especial, outras pessoas também passam por problemas. A vida é boa, o ser humano é que não presta. Mesmo que a vida fosse uma causa perdida (Abujamra), ainda sim seria preferível à alternativa (Gabriel Montalban).

Sei que pecar é melodioso, bonito, cheiroso, gostoso e prazeroso, caso contrário, nunca pecaria. No entanto, o pecado é anti-musical, é uma caricatura do cão chupando manga, tem um bodum insuportável, causa náuseas desentranháveis e dói, dói, dói. Por isso, não peco habitualmente.

Sei que toda satisfação deve ser provisória, pois não há alegria crescente sem que haja insatisfação permanente. Motivação, coragem, objetivos. Meio e oportunidades. Trabalho. Feliz sempre, satisfeito nunca.

Não perco meu tempo na quixoteana tarefa de combater moinhos de vento (Cervantes). Nem sempre Deus vai abrir o mar para mim (ÊXO 14.1-31), nem sempre Deus me fará andar sobre as águas (MAT 14.22-33), mas sempre poderei atravessar a nado (ATOS 27.42-44; II CO 11.25). Reconhecendo que algumas vezes sei terei que desistir de atravessar (EZE 47.1-5).

Sou um homem antiquado. Considero caminhar mais legal que chegar. Construir me dá mais prazer que inaugurar. Prefiro lutar. A derrota é solidariamente amarga, e a vitória é solitariamente chata. Quero chegar ao fim (tanto como final quanto como finalidade) e dizer: Combati bons combates (I TI 4.7A).

Estou chegando ao fim. Concordo que “nada há mais feio que dar pernas longuíssimas a idéias brevíssimas” (Machado de Assis), mas não posso terminar sem deixar com vocês uma última palavra, não um conselho, mas a moral da história: “Eis o segredo da vida: inspire, expire, e, no mais, improvise” (Veríssimo). Mas não se iluda: Seu último dia fácil foi ontem, prepare-se para o pior para não viver o pior e que Deus o ajude!

AMPLEXUS FRATERNUS ET OSCULUS CHRISTIANUS DO SEU PASTOR

Dercinei Figueiredo Pinto

P.S.: Dercinei foi meu professor no Instituto de Educação Religiosa-RJ


4 de novembro de 2010

QUANDO EU ERA CRIANÇA!



Ontem foi aniversário do meu pai, 84 anos! Liguei para ele e batemos um bom papo!  Também conversei com minha irmãzinha que amo muito mesmo na distância. Me deu uma coisinha gostosa no coração!
Tenho boas lembranças da minha infãncia...tenho sim! Lembro quando morava eu e meu pai sozinhos, durante a semana ele trabalhava, mas aos sábados ele colocava o café na mesa e nós cantávamos e orávamos juntos. Era tão gostoso...até hoje me lembro das musiquinhas que aprendi sobre Deus e sobre viver com Ele! A fé que hoje tenho é fruto desse cultivo paternal que tive. Eu quero ensinar essas coisas aos meus filhos. Quero junto com eles cantar para Deus e ensinar-lhes uma consciência sobre a existência de Deus. Me lembro de uma vez que fui passar férias na casa do meu pai, nos sentamos no sofá e começamos a  cantar as musiquinhas que cantávamos naquela época ao redor da mesa, quando olhamos um para o outro, estávamos mergulhados em lágrimas!
 Sobre tudo isso, penso que a opção do bom caminho,  somos     nós  pais  ( já  me vejo mãe rsrs) que devemos dar. Mesmo que um dia um filho venha se desviar, nos momentos de aperto ele se lembrará que existe um poço e cujas àguas seus pais beberam de lá e que ele poderá beber também!
Graça e Paz!

1 de novembro de 2010

DICAS DE FILME.



Eu e o marido vimos um filme de cachorro chamado "Sempre ao seu Lado"
com Richard Gere. Uma história REAL linda de escolha, amor e lealdade. Choramos o filme
todo, quando acabou estava os dois com os olhos vermelhos e caras
inchadas de tanto chorar! Quem curte bichos vai gostar muitooo! Essa
é uma  boa dica!


Pra completar o fim de semana Cinema, saímos pra visitar uns amigos e vimos
uma escalada de filmes toscos, a começar pelos nomes: "Caso 39", " A caixa" e 
" A ilha" rsrsrsrs. Ríamos muito ao final de cada um deles. O último foi o menos
horrível, é um cara que se casa com uma mulher neurótica que mata as três filhas
e depois o induz a matá-la. No caminho de volta pra casa, ríamos
e o marido comentou: "pior que tem gente que é assim mesmo,  sabe que o outro
vai levá-lo pra morte, mas ainda insiste!"
E  é verdade!
Semana boa pra todos nós!