12 de julho de 2010

ELIZA SAMUDIO REPETE SUA HISTÓRIA FAMILIAR!



" Temos sempre que nos haver com nossa história, se não falamos dela, ela se faz falar por nós...estranhar a repetição, estar atentos para ela, se interrogar sobre ela, nos aproximarmos de seu sentido, das representações em jogo. Esse movimento nos encaminha para a elaboração, que é o momento de reorganização das representações."
Percebo que a história familiar dessa moça é envolvida por um lençol de rejeição. Foi alvo de uma disputa de amor e ódio entre seus pais  sendo separada do amor materno pelo seu pai, para que assim sua mãe fosse punida por ter pleteiado a separação conjugal. Nesta semana, se noticia que seu pai responde a um processo de pedofilia, onde ficou comprovado o abuso sexual e sua autoria. Durante as apariçoes de seu pai, sempre questionei seu jeito frio e previsível em relação ao desaparecimento de sua filha. Em conversa com meu esposo logo no inicio da explosão do caso,questionamos como um pai deixa sua filha ir de um estado para outro,com uma criança nos braços encontrar um cara que já tinha dado sinais de mau caráter e assassino. Meu esposo disse " Jú, se é minha filha eu diria: Você até pode ir, mas eu vou com você!" Acho que seria uma atitude esperada de um pai que ama, tenta e quer proteger!
Hoje ouvindo o PAPO DE GRAÇA com o Caio Fábio, ele disse que esta menina caminhou para a morte sem nenhum medo ( falo do medo que nos protege, que nos faz presentir o mal...), expôs seu filhinho e ainda no caminho para o matadouro acreditava que seu algoz no último momento iria se arrepender e libertá-la! Doce ilusão! Pesadelo!!!
"Olhando a nossa infância percebemos a existência de angústias, de dor, revisitamos as dificuldades, o lado sombrio que existe em qualquer ser, mesmo sendo ele uma criança, às vezes tão pequena. A infância não é um período só cor de rosa, o trabalho interno que cada um tem que trilhar envolve tristeza, incompreensão, solidão, raiva, desejos destrutivos, choro. Quando crianças, temos que achar sentidos para muitas questões que geram muita ansiedade, como entender de onde viemos, para que estamos aqui, para onde vamos, a morte, o sexo, o que é ser menino ou menina, a maldade, a rejeição, o desejo, o limite, o amor..."
"Freud diz que o inconsciente é o infantil. O fato da infância, enquanto tempo externo, já ter passado para um adulto, não significa que enquanto tempo interno, tenha se extinguido. O infantil sobrevive em cada um e se mostra em cenas privilegiadas, nas quais os enigmas mostram a sua face."
Somos resultado da criança que fomos, nossas experiências, afetos e desafetos. Precisamos refletir, questionar certas posições destrutivas e cultivar escolhas saudáveis. A relação de Eliza com Bruno vislumbra muito mais que golpe da barriga, que pensão, dinheiro e status. Mostra-nos uma solitária incapaz de enxergar além dos limites do própio corpo, incapaz de proteger-se. Mostra-nos uma criança desprotegida mesmo nos braços de sua mãe, e que agora talvez desfrute de um pouco mais de afeto e de menos rejeição, pois é alvo também da vontade de uma mãe ( avó) eximir-se da culpa ( consciência pesada) de ter vivido tanto tempo longe de uma filha sem oferecer-lhe proteção, sem ensinar-lhe que o ser mulher vai muito além do próprio corpo, de uma simples transa. Eliza procurou na teia de aranha, justamento o fio da rejeição, da frieza de Bruno assim como demonstrou seu pai frieza por sua mãe. Nesta história, os fios se entrelaçam, se repetem, e Eliza não foi capaz de achar qual dos fios a levaria a  simples felicidade!

Abraço e vida!

endereço do texto em itálico http://www.pedagogico.com.br/

Um comentário:

  1. Ai flor que xaudades de ler seus post, estou maravilhada, mesmo sendo uma situação tão triste pelo acontecido, vc conseguiu transformar num texto de fé e amor. Que Deus continue te abençoando viu.

    bjs,

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