21 de janeiro de 2010

"O DEUS DO CORNO E O DEUS DO RICARDÃO'



Gente, achei essa postagem em um blog bacana chamado GENIZAH, achei tão legal, tão contemporânea, que não resisti e postei aqui com os devidos méritos é claro!

Reverendo Rodrigo Lima

Sempre tenho lido críticas sobre o papel de nossas lideranças invangélicas brasileiras. Sim, invangélicas porque pensam somente dentro da caixa, querem tudo dentro do arraial, sal dentro do saleiro. A cada estação levantam uma moda nova: é unção da nobreza, é oferta de 900 reais, é pastor pilão, é visão, alucinação e piração, enfim, o que sua imaginação criar e o mercado exigir, assim será.

Mas vejo que uma crítica feita a esses popstars é que sua “teologia” e forma de ver o mundo é calcada unicamente no Antigo Testamento. Dizem isso pelo fato de ressuscitarem o modelo dos sacrifícios, do papel sacerdotal, do olho por olho. Mas creio que isso é uma injustiça. Não creio que o Deus que Se revela no Antigo Testamento seja distinto do Deus revelado em Cristo no Novo Testamento. É o mesmo eternamente.

Mas, com certeza, há algo estranho na maneira como os popstars de hoje apresentam Deus. Na linguagem de triste memória de Sônia Hernandes, Ele é fofinho, quentinho, um He-Man, um Super Mouse que não falha na hora H. Ou seja, além de ser comparado com um pão de queijo e com um personagem de quadrinhos fora de moda, Ele ainda tem que dar no couro. É um Deus guerreiro, vitorioso, que chega dando porrada. E Seus seguidores, obviamente, não podem ficar para trás. São nobres, ricos, cheirosos e maravilhosos, sem dor de cabeça e nem preocupações com a conta da farmácia.

Mas o Deus que Se mostra no Antigo Testamento é completamente diferente desse apresentado por aí. O Deus que Se mostra em Gênesis usou um malandro trapaceiro, desses que vendem a mãe mas não entregam, para ser o patriarca de uma nação.

Escolheu também um filhinho de papai malcriado que curtiu a humilhante rejeição de sua família e posterior prisão arbitrária para ser instrumento de bênção na terra do Egito. No Êxodo Deus resolve usar um velhinho gago para ser instrumento de libertação de Israel. De Levítico a Deuteronômio Ele escolhe um povinho escravo e ingrato como Sua família na terra. Escolhe Josué, que junto com Calebe foi da turma “do contra”, para ser guia do povo. Deus usa gente esquisita como Sansão para libertar esse povo. Usa uma prostituta como bênção na vida de dois espiões. Uma mulher moabita, portanto idólatra e estrangeira (coisa abominável para o judeu) entra na linhagem do Messias. Lembra-Se da oração de uma mãe rejeitada e lhe dá um filho, que seria o último juiz e o primeiro profeta de Israel. Escolhe um menino meio largado pela família, bom músico mas que se revelaria um pai relapso e mulherengo contumaz, como figura do reino do Ungido. O que dize de seu filho, então, que foi abençoado com sabedoria, mas que terminou seus dias afastado de Deus, retornando apenas na velhice?

Se pularmos para os profetas (os verdadeiros, não esses falsos por aí), a coisa endoida mais ainda. Não tinham assessores ministeriais, cartão de visita, site na internet nem comunidade no orkut. Um pregou pelado. Outro era depressivo e teve um ministério fracassado, sendo humilhado publicamente e depois levado ao Egito. Um era meio doidão, que chegou a ver algo parecido com discos voadores e que ilustrava suas profecias cortando o cabelo com espada, queimando uma parte, jogando ao vento outra e amarrando a terceira na roupa – deveria ter sido internado no hospício! Um foi um “pelego”, trabalhando para o governo inimigo. Um casou com uma prostituta, sendo corneado e casado com ela de novo. Um era boiadeiro. Um era rebelde. Um tinha visões estranhíssimas, como mulheres com asas de cegonhas, verdadeiras alucinações.

Deus Se identificou com o malandro. Com o velho gago. Com o playboyzinho. Com o “do contra”. Com a prostituta e a estrangeira. Com a mulher mal amada e o mulherengo. Com o “desinibido” e o depressivo. Com o maluco beleza e o “pelego”. Com o rebelde, o vaqueiro pobretão e o alucinado.

O Deus do AT é o mesmo do NT. Jesus andou com a prostituta, o pobre, o necessitado, o estrangeiro idólatra. Almoçou na casa de ladrões e conversou com mulheres de fama pra lá de duvidosa.

Mas Jesus não Se dava bem com religiosos. Fariseus, a elite religiosa do Seu tempo, eram gentilmente classificados como hipócritas, raça de víboras, sepulcros caiados. Os religiosos devolveram a “gentileza” tramando Sua morte. Em nome da religião.

Esses popstores e seus lobotomizados seguidores andam na turma de Anãs e Caifás. Andam na turma de Pasur. Na turma dos herodianos, saduceus e fariseus. Na turma dos profetas de Baal, de quem tomaram toda a teologia.
Enfim, o Deus que Se revela no AT e no NT Se identifica com gente fraca, imperfeita e quebrada. Se identifica com um corno, pois Sua graça completa aquilo que lhes falta. O deus vendido pela mídia gospel é guerreiro, forte e viril. Gosta mesmo é de se identificar com o ricardão. O deus vendido pela mídia gospel é Baal.

Reverendo Digão é pastor presbiteriano e conluiado no crime de Genizah
Retirado do Bog Genizah http://www.genizahvirtual.com/2010/01/o-deus-do-corno-e-o-deus-do-ricardao.html#comment-form

Um comentário:

  1. Graça e paz!
    Estive aqui para conhecer seu Blog e quero lhe parabenizar por esta bênção. Já me tornei sua seguidora.
    Deixo meu convite para que dê uma passada lá no PASTORAGENTE.BLOGSPOT.COM., onde exponho da forma mais divertida e realista possível, as histórias de uma pastora comum como eu.
    Se quiser seguir o blog será uma honra para mim.
    Que 2010 seja uma bênção, com muita saúde e graça do Pai.
    Abração!!!

    ResponderExcluir

Olá! Obrigada pela visita!